Se há coisa que aprendemos com a idade é que não existem relações perfeitas, porque não existem pessoas perfeitas. E que, se alguém nos parece perfeito, é porque ainda não o conhecemos o suficiente.
Aprendemos então a contentar-nos com relações quase perfeitas e a desistir de sonhos, que nos parecem cada vez mais impossíveis. Depois, as pessoas mais práticas adaptam-se à situação e aos defeitos do outro; enquanto os sonhadores, mais cedo ou mais tarde, começam a questionar a decisão e acabam por viver com a sensação de que algo faltou, que se calhar se enganou e que não devia ter desistido tão cedo de procurar a relação ideal.
É por isso que, quando vemos alguém a falar sobre o seu companheiro de anos com uns olhos brilhantes de orgulho, é quase certo que eles começaram a namorar cedo, quando as ilusões ainda existiam e quando os sonhos pareciam poder tornar-se realidade.
Muitas vezes se pensa que o amor vence tudo. Mas não é nada assim. O amor é apenas uma premissa. O resto... sai-nos do pêlo! Achavam que isto era só amar e tal, e o resto vinha por si só? Nem pensar nisso é bom!
Existem vários pormenores que podem conduzir a uma relação que se pretende perfeita: vontade, empenho, esforço, dedicação, atenção, honestidade emocional, delicadeza, respeito, cortesia, preocupação e tantos outros que servem a construção de uma vida a dois.
Uma relação (quase) perfeita pauta-se pelo empenho mútuo em não a deixar morrer. Porque as relações tendem a definhar se não forem alimentadas. Tal como nós precisamos de comida para sobreviver, as relações precisam da nossa total atenção diária para se manterem vivas. Ninguém consegue ser feliz sem esforço e esta é uma verdade incontornável, por muito que nos custe.
Quando as palavras já não são necessárias a não ser que as queiramos pronunciar, atingimos um grau próximo da perfeição. Quando os olhares nos dizem tudo. Quando as almas se encontram e o todo o resto se torna obsoleto. Mas para aqui chegar, é necessário ultrapassar todas as etapas, todos os equívocos e todos os obstáculos, que na maioria das vezes estão em nós próprios.
A entrega da alma é algo de muito importante, profundo e tem um risco altíssimo. Porém, a recompensa é sempre muito mais elevada e o investimento torna-se quase insignificante, face aos resultados.
Um abraço
Dj Nelo
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
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